Enigma
elisasantos
Subi uma escada espiralada, subi... subi...
Procurando
uma palavra que vencesse as barreiras
Entre o que falo e o que senti, no
caminho
Combati mitos, ouvi os colibris, do ar tentei algo ouvir
Conjuguei o verbo, consultei cabalas, luz nas sombras inseri
Abri portas
e percorri labirintos de mim
O enigma insuperável se fincava de verdade
A solidão,
dama austera fazia-me companhia, nas noites
Implacável sorria para
mim
A angústia me domina no espelho... as duas
A que diz e a
que pensa... nenhuma sorri
Soturnas impõem barreiras, lanço mão da
poesia
Obra aberta...paciente que nos seus braços me embala,
sim.
Publicado no Recanto das Letras em 19/03/2006